Dilma Roussef receberá, dia 1 de janeiro, a faixa de presidente da Repúlica das mãos do primeiro operário a ocupar a presidênia, o mais popular de todos os presidente brasileiros e o primeiro a começar as mudanças tão necessárias no nosso país. Fatos tão significativos precisam de uma, mesmo que mínima, reflexão com a perspectiva do futuro.
O governo Lula foi marcado fundamentalmente pelo desenvolvimento econômico e social do país como nunca antes. Ao mesmo tempo que o Brasil cresceu a taxas elevadas, também conseguiu distribuir renda e reduzir desigualdades. Foram milhões de famílias que passaram a ter acesso a luz elétrica através do programa Luz para Todos, foram 15 milhões de empregos formais gerados, 750 mil jovens beneficiados com bolsas universitárias, 28 milhões de pessoas que deixaram a linha da pobreza e mais de 30 milhões que entraram na classe média. Os ganhos sociais saltam aos olhos.
Mas não é só isso. O governo Lula é o marco de um novo ciclo de desenvolvimento do país, assentado nas idéias de crescimento com distribuição de renda. A retomada do papel ativo do Estado como indutor e sujeito no desenvolvimento econômico e da criação de políticas públicas para os mais pobres é o principal ponto para visualizarmos e construirmos seguramente um caminho de superação do destastre Neoliberal. Também é necessário considerar o papel de consolidação e aprofundamento da democracia brasileira, criando uma nova cultura política no país, mais participativa, mais popular e mais madura.
Ao mesmo tempo em que o governo Lula deixa profundos traços na sociedade brasileira e abre caminho para mudanças ainda maiores o mesmo também foi uma mar de constradições que ainda persistem. Lula conseguiu conciliar em seu governo setores totalmente opostos com intuito de construir um governo de coalização. Estiveram em seu governo desde guerrilheiros que combateram a ditadura militar até aqueles que a sustentaram. Apesar dos grande avanços sociais e políticos que marcaram os últimos 8 anos, o governo não teve força e, em alguns casos, nem vontade política de realizar as grandes reformas tão necessárias para combater as desigualdades e injustiças a partir de suas causas. Nos últimos 8 anos não foram capazes de dar cabo a algumas práticas e vícios neoliberais, como a política de superávit primário, a rolagem da dívida pública e a tendência cada vez maior de terceirizações. Também não vimos uma reformulação dos meios de comunicação e a democratização deste em nosso país. Ao mesmo tempo que houve inúmeros ganhos sociais para as classes menos favorecidas, os banqueiros tiveram ganhos lucros recordes durante a "era" Lula, mantendo a estrutura que produz e reproduz injustiças sociais no nosso país.
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Assim, o governo Lula deixa uma herança enorme de desenvolvimento social e econômico jamais vistos na história brasileira, mas ao mesmo deixa um rastro de contradições e inúmeras tarefas a serem cumpridas se quisermos constuir uma país mais justo, igualitário e democrático. O que significou ou significará os 8 anos de Lula na presidência dependerá enormemente dos rumos do próximo governo e da correlação de forças na sociedade nos próximos anos.
Para podermos fazer da era Lula um período de transição rumo às grandes transformação sociais que devem ser realizadas, o governo Dilma precisa ser marcado não só pela continuidade mas também e, principalmente, pelo aprofundamento das mudanças e políticas trazidas por Lula. Dilma precisará, para isso, realizar as grandes reformas democráticas e populares, como a Reforma Agrária, a Reforma Política, a Reforma Tributária e, també, resgatar a empresas "doadas" durante o período das privatizações bem como fazer a auditoria da dívida pública, reestruturar o sistema financeiro para que este esteja a serviço dos interesses populares e, por fim, realizar uma profunda democratização dos meios de comunicação em nosso país, quebrando o monopólio da informação.
Para isso precisará de uma mudança na correlação de forças na sociedade, ou seja, precisará que a disputa entre o mundo do Trabalho e o mundo do Capital esteja favorável para o lado dos trabalhadores. Em vias de alterar esta correlação de forças, que ainda se encontra favorável ao Capital, é necessário que a esquerda se volte ao trabalho de base, fortaleça movimentos sociais e dê combatividade ao sindicalismo. Em resumo, é necessário fazer com que o povo busque mais e mais as mudanças ao invés de se contentar com as que vieram até agora, fazer com que os pobres, excluídos e explorados do sistema se organizem e tenham coragem e vontade de ir às ruas exigir as medidas necessárias da futura presidente para que os 500 anos de opressão que as elites impriram ao povo possam revertidos. Não é fácil construir uma pátria livre, igualitária, justa, democrática e cuja economia esteja voltada para os interesses da população como um todo. Porém, é nosso dever não desanimar, seja por um compromisso ético com a vida humana ou seja por uma convicção ideológica, nossa luta deve ter sempre no horizonte a esperança de que é possível superarmos este modo de sociedade e construir um melhor, baseado no coletivo e na fraternidade. Sim, é possível construirmos o socialismo.
As esperanças em torno do governo Dilma são muitas. Espero que enfim as transformações estruturais aconteçam, de forma a alterar profundamente nossa sociedade para saná-la dos seus males. Mas não esqueçamos, temos um papel importantíssmo neste novo passo: alterar a correlação de forças na sociedade, disputar idéias entre a população e fortalecer os movimentos sociais. Este papel é crucial se queremos possibilitar que a companheira Dilma possa continuar, aprofundar e avançar na construção de um país verdadeiramente de todos!
"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis"( Bertold Brecht)
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis"( Bertold Brecht)
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