sexta-feira, 22 de abril de 2011

Confusões ideológicas...

Depois de um tempo sem postar aqui no Blog, pretendo retomar a proposta de regularmente escrever sobre temas que considero pertinentes.



Gostaria de escrever sobre um tema que considero extremamente relevante no atual contexto da humanidade como um todo. Não que eu seja um pessimista ou um fatalista, mas nós passamos por um período da História no qual, ao mesmo tempo que é possível vislumbrar grandes esperanças na nossa capacidade de desenvolvimento  também se colocam desafios imensos, os quais necessariamente precisam ser transpostos para que as esperanças de construção de um futuro próspero para a humanidade se concretizem. Desta forma, gostaria de colocar a seguinte questão: o que podemos fazer de concreto neste processo onde se faz necessário alterar significativamente os paradigmas e os modos de produção material sobre os quais nossa sociedade está assentada? Nesta pergunta já deixo claro assumir todos nós (todos mesmo!) como agentes capazes de assumir seu papel na História.



Esta pergunta não me cabe responder, apenas levantar alguns pontos que me intrigam. Sempre fui da linha de pensamento na qual assumi-se que as mudanças rumo a uma sociedade mais justa e igualitária se dariam num âmbito de luta coletiva, social, através de instituições e organizações representativas dos setores explorados que almejam a mudança. Ou seja, estas mudanças deveriam nascer na organização dos setores explorados e excluídos em torno de entidades capazes de canalizar a busca por mudança rumo a uma ruptura com a ordem estabelecida. Incluo nestas entidades os sindicatos, os partidos políticos, as comunidades eclesiais de base, as associações de bairro e os movimentos sociais/ populares em geral.




Porém, vivemos em uma época de muita confusão Política e ideológica. Depois da queda do muro de Berlim, do fim da ditadura militar em nosso país e do avanço do neoliberalismo os movimentos populares se encontraram, de certa forma, perdidos. O refluxo das movimentações populares trazido pelos efeitos acima elencados e, principalmente, a perda de organização por parte das bases que impulsionavam as lutas sociais, acabaram por gerar uma certa desconfiança em muitos setores da esquerda sobre a possibilidade de implantação de um projeto social alternativo ao capitalismo, mais justo economicamente e mais igualitário socialmente. Deve- se destacar o papel das políticas neoliberais neste quadro de desestruturação da esquerda, uma vez que através delas muitos setores foram terceirizados, relações trabalhistas foram flexibilizadas e o individualismo incentivado, o que acabou ferindo fortemente as bases sindicais do país. Um exemplo desse efeito é troca dos "Direitos do cidadão" pelos "Direitos do consumidor", dos direitos sociais inerentes a qualquer um pelos direitos que atendem somente àqueles inseridos no mercado de consumo. Enfim, sem mais blá- blá- blá, é visível a enorme confusão pela qual passamos. Basta ver declarações recentes de personagens historicamente ligados as lutas populares defendendo valores conservadores e, muitas vezes, reacionários. Como por exemplo o atual ministro da Casa Civil, o qual já pertenceu a movimentos de ultra- esquerda quando estudante e no último ano compareceu a um encontro promovido pelo Instituto Millenium (uma ONG formada pelas alas mais reacionárias da grande mídia brasileira) defendendo o monopólio dos meios de comunicação em nosso país, indo contra a posição de democratização dos meios de comunicação e de controle social dos mesmos que seu partido adotou (Partido dos Trabalhadores).


Mas o que mais me assusta é a declaração dada pelo ex- presidente Lula ( um dos símbolos da esquerda e da luta dos trabalhadores no Brasil) nos últimos dias. Lula defende que o PT procure um leque de alianças mais a direita (mais a direita ainda?!?!?!) para conquistar eleitores do campo malufista e também eleitores tradicionais do ex- governador Orestes Quércia. Ou seja, a idéia é que o partido mais popular que temos se alie com inimigos históricos daqueles que ainda militam no PT para que, desta forma, a cúpula do partido possa se sentar nas cadeiras de comando do estado de São Paulo. Muitos dos que lerão este post não devem ser filiados ao PT, porém se faz necessário entender a gravidade disto para a esquerda como um todo. Querendo ou não, o PT é o instrumento político mais eficaz e desenvolvido que temos para dialogar com as massas e organizá- las para a luta diária contra o regime do Capital. Assim, ele ainda deve ser enxergado como uma peça importante para aqueles que acreditam na transformação das atuais estruturas sociais sob as quais vivemos atualmente. A intervenção militante no PT, desta forma, é justificada e necessária, de forma estratégica para a construção de uma alternativa a atual sociedade. 



Realmente, o Brasil conseguiu incluir dezenas de milhões de pessoas no mercado consumidor, tirar milhões da pobreza e elevar o nível de vida da população. Porém, há muito, muito, muito mais coisas a serem feitas para realmente construirmos uma nação verdadeiramente democrática e justa. Neste ponto coloco a necessidade de lutarmos com grande entusiasmo pela reforma política, não como fim em si, mas como meio necessário para salvarmos importantes ferramentas partidárias da sua auto degeneração e consequente perda de identidade frente às massas. A reforma política poderá ser uma forma dos partidos de esquerda sobreviverem sem a necessidade de fazerem concessões a direita para continuarem existindo eleitoralmente. Ao mesmo tempo também é necessário um compromisso maior dos militantes com nosso projeto transformador de sociedade de forma a pressionar suas lideranças e direções para que não se vendam ao jogo sujo da democracia burguesa. 


O PT nasceu para ser a grande referência para o povo pobre e trabalhador, ser sua esperança e ser seu instrumento de mudança, de participação política e de melhoria da qualidade de vida. Como diz em seu manifesto de fundação: "O Partido dos Trabalhadores surge da necessidade sentida por milhões de brasileiros de intervir na vida social e política do país para transformá-la." e também em outro trecho "O Partido dos Trabalhadores nasce da vontade de independência política dos trabalhadores, já cansados de servir de massa de manobra para os políticos e os partidos comprometidos com a manutenção da atual ordem econômica, social e política. Nasce, portanto, da vontade de emancipação das massas populares".

É possível mudar este estado de coisas no qual mais de um bilhão passam fome para que alguns milhares possam desfrutar do luxo e da futilidade material. Segundo dados do prêmio Nobel de economia, Paul Krugmann, 400 famílias norte- americanas concentram mais renda que 46% da população trabalhadora dos Estados Unidos. Esta acumulação toda acontece através do roubo disfarçado de liberdade e da exploração encoberta pela legalidade das leis atuais. A esquerda, no atual contexto, precisa "reaprender" a fazer o trabalho de base, conscientizando a população sobre a necessidade de luta e organização para conquistar direitos e melhorias na qualidade de vida. Além disto, precisa salvar as referências já construídas para que as idéias que prega não sejam banalizadas diante dos que pretende atingir. É uma tarefa difícil, mas motivações não nos faltam, seja nos discursos inflamados de nossos antecessores, seja no olhar cansado e abatido daqueles que "fazem parte desta massa". 

Força, o caminho não é fácil e o momento também não. Assumamos nossa papel neste processo, deixemos de lado a preguiça, o medo e a má vontade para darmos lugar a esperança e ao compromisso com uma humanidade melhorada! Para isto, o principal ingrediente deve ser, indiscutivelmente a alegria...


Uma boa Páscoa a todos! Que uma nova esperança nasça em nossos corações e nos motive a lutar por esta utopia chamada socialismo!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Acaba 2010, começa 2011 e a luta continua...

Enfim chegamos ao final de 2010. Dentre os inúmeros fatos marcantes ao longo do ano seria impossível não destacar a eleição da primeira mulher da história brasileira para a presidência da república.


Dilma Roussef receberá, dia 1 de janeiro, a faixa de presidente da Repúlica das mãos do primeiro operário a ocupar a presidênia, o mais popular de todos os presidente brasileiros e o primeiro a começar as mudanças tão necessárias no nosso país. Fatos tão significativos precisam de uma, mesmo que mínima, reflexão com a perspectiva do futuro.

O governo Lula foi marcado fundamentalmente pelo desenvolvimento econômico e social do país como nunca antes. Ao mesmo tempo que o Brasil cresceu a taxas elevadas, também conseguiu distribuir renda e reduzir desigualdades. Foram milhões de famílias que passaram a ter acesso a luz elétrica através do programa Luz para Todos, foram 15 milhões de empregos formais gerados, 750 mil jovens beneficiados com bolsas universitárias, 28 milhões de pessoas que deixaram a linha da pobreza e mais de 30 milhões que entraram na classe média. Os ganhos sociais saltam aos olhos.


Mas não é só isso. O governo Lula é o marco de um novo ciclo de desenvolvimento do país, assentado nas idéias de crescimento com distribuição de renda. A retomada do papel ativo do Estado como indutor e sujeito no desenvolvimento econômico e da criação de políticas públicas para os mais pobres é o principal ponto para visualizarmos e construirmos seguramente um caminho de superação do destastre Neoliberal. Também é necessário considerar o papel de consolidação e aprofundamento da democracia brasileira, criando uma nova cultura política no país, mais participativa, mais popular e mais madura.



Ao mesmo tempo em que o governo Lula deixa profundos traços na sociedade brasileira e abre caminho para mudanças ainda maiores o mesmo também foi uma mar de constradições que ainda persistem. Lula conseguiu conciliar em seu governo setores totalmente opostos com intuito de construir um governo de coalização. Estiveram em seu governo desde guerrilheiros que combateram a ditadura militar até aqueles que a sustentaram. Apesar dos grande avanços sociais e políticos que marcaram os últimos 8 anos, o governo não teve força e, em alguns casos, nem vontade política de realizar as grandes reformas tão necessárias para combater as desigualdades e injustiças a partir de suas causas. Nos últimos 8 anos não foram capazes de dar cabo a algumas práticas e vícios neoliberais, como a política de superávit primário, a rolagem da dívida pública e a tendência cada vez maior de terceirizações. Também não vimos uma reformulação dos meios de comunicação e a democratização deste em nosso país. Ao mesmo tempo que houve inúmeros ganhos sociais para as classes menos favorecidas, os banqueiros tiveram ganhos lucros recordes durante a "era" Lula, mantendo a estrutura que produz e reproduz injustiças sociais no nosso país.


Assim, o governo Lula deixa uma herança enorme de desenvolvimento social e econômico jamais vistos na história brasileira, mas ao mesmo deixa um rastro de contradições e inúmeras tarefas a serem cumpridas se quisermos constuir uma país mais justo, igualitário e democrático. O que significou ou significará os 8 anos de Lula na presidência dependerá enormemente dos rumos do próximo governo e da correlação de forças na sociedade nos próximos anos.

Para podermos fazer da era Lula um período de transição rumo às grandes transformação sociais que devem ser realizadas, o governo Dilma precisa ser marcado não só pela continuidade mas também e, principalmente, pelo aprofundamento das mudanças e políticas trazidas por Lula. Dilma precisará, para isso, realizar as grandes reformas democráticas e populares, como a Reforma Agrária, a Reforma Política, a Reforma Tributária e, també, resgatar a empresas "doadas" durante o período das privatizações bem como fazer a auditoria da dívida pública, reestruturar o sistema financeiro para que este esteja a serviço dos interesses populares e, por fim, realizar uma profunda democratização dos meios de comunicação em nosso país, quebrando o monopólio da informação. 


Para isso precisará de uma mudança na correlação de forças na sociedade, ou seja, precisará que a disputa entre o mundo do Trabalho e o mundo do Capital esteja favorável para o lado dos trabalhadores. Em vias de alterar esta correlação de forças, que ainda se encontra favorável ao Capital, é necessário que a esquerda se volte ao trabalho de base, fortaleça movimentos sociais e dê combatividade ao sindicalismo. Em resumo, é necessário fazer com que o povo busque mais e mais as mudanças ao invés de se contentar com as que vieram até agora, fazer com que os pobres, excluídos e explorados do sistema se organizem e tenham coragem e vontade de ir às ruas exigir as medidas necessárias da futura presidente para que os 500 anos de opressão que as elites impriram ao povo possam revertidos. Não é fácil construir uma pátria livre, igualitária, justa, democrática e cuja economia esteja voltada para os interesses da população como um todo. Porém, é nosso dever não desanimar, seja por um compromisso ético com a vida humana ou seja por uma convicção ideológica, nossa luta deve ter sempre no horizonte a esperança de que é possível superarmos este modo de sociedade e construir um melhor, baseado no coletivo e na fraternidade. Sim, é possível construirmos o socialismo. 


As esperanças em torno do governo Dilma são muitas. Espero que enfim as transformações estruturais aconteçam, de forma a alterar profundamente nossa sociedade para saná-la dos seus males. Mas não esqueçamos, temos um papel importantíssmo neste novo passo: alterar a correlação de forças na sociedade, disputar idéias entre a população e fortalecer os movimentos sociais. Este papel é crucial se queremos possibilitar que a companheira Dilma possa continuar, aprofundar e avançar na construção de um país verdadeiramente de todos!



"Há homens que lutam um dia, e são bons;
Há outros que lutam um ano, e são melhores;
Há aqueles que lutam muitos anos, e são muito bons;
Porém há os que lutam toda a vida
Estes são os imprescindíveis"( Bertold Brecht)
  

Homenagem aos 52 anos da revolução cubana neste 1° de janeiro! Hasta la revolución!


terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um mundo diferente!

Esta é a primeira postagem das muitas que virão neste blog. Este, pretende ser um espaço onde se possa colocar em debate questões fundamentais sobre a nossa sociedade e o mundo em que vivemos.
A necessidade de mudança de paradigmas talvez nunca tenha sido tão escancarada como agora, um momento no qual passamos por diversas crises. Entre estas, destaco a crise social, econômica, ambiental e, principalmente, a crise civilizacional pela qual passa a humanidade.
No centro destes problemas, temos a atual estrutura sobre a qual a sociedade humana se assenta. Baseada na exploração do trabalho assalariado e na produção de mercadorias visando unicamente o lucro individual, esta estrutura não mais é capaz de favorecer o desenvolvimento humano e está, de forma acelerada, conduzindo a humanidade para um futuro permeado de problemas e injustiças sociais cada vez maiores, desequilíbrios ambientais e de perda de identidade humana consigo mesma. O atentado contra a vida humana é parte desta estrutura que reproduz a sociedade de forma a atender interesses de Mercado e não as necessidade humanas.
Este espaço pretende discutir a causa destes problemas, ou seja, o modo de sociedade em que vivemos atualmente, e buscará encontrar caminhos coletivos para trilharmos de forma que, durante a caminhada, possamos ir construindo uma humanidade melhor que viva num mundo transformado. Partimos da idéia de que enquanto houver a oposição social entre o "mundo do Capital" e o "mundo do Trabalho", o socialismo continuará sendo uma alternativa para todos aqueles que sonham com uma realidade na qual a humanidade seja uma grande família.

Pretendo colocar posições e questões que envolvam os problemas do dia a dia, sem me perder em devaneios abstratos que em nada acrescentariam a luta diária pela transformação social. Aqui, pretende- se debater a realidade local da cidade de Amparo e sua região, bem como questões nacionais e internacionais.

Também pretende- se fazer deste espaço um local onde se possa encontrar um pouco de cultura e ciência. Discussões científicas serão sempre bem vindas. Também pretende-se fazer deste um espaço divertido e atrativo, afastando-se da abordagem puramente crua das questões pertinentes.

É isso. Que todos possam encontrar aqui um espaço para formação, informação e desenvolvimento pessoal. (E um pouco de diversão, claro!)